Presidente da FCDL-MG lamenta aumento da taxa de juros
O aumento da taxa Selic em 0,25 ponto percentual, anunciado ontem pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), trouxe preocupações para as entidades empresariais mineiras, como a Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Minas Gerais (FCDL-MG).
Na avaliação do presidente da FCDL Minas, Frank Sinatra, uma política monetária equilibrada é importante, no entanto, o aumento da Selic, que já estava elevada, prejudica o crescimento econômico e traz desafios para o setor de comércio e serviços.
“O que precisamos é de taxas de juros competitivas, que estimulem os investimentos e o consumo, sem comprometer o processo desinflacionário. Esperamos que haja um outro caminho a ser seguido pela condução da política monetária no país, com menos efeitos negativos, sobretudo para o setor produtivo”, afirma.
Esse foi o primeiro aumento de juros em mais de dois anos -em agosto de 2022, a taxa subiu de 13,25% para 13,75% ao ano. A Selic ficou um ano parada naquele patamar até o início do processo de flexibilização do aperto monetário em agosto do ano passado.
Ao longo do ciclo de queda, houve recuo de 3,25 pontos percentuais no acumulado, com seis reduções de 0,5 ponto e uma de 0,25 ponto. Depois da sucessão de cortes, foram duas manutenções seguidas, nos encontros de junho e julho.
Desde a reunião anterior, em julho, o dólar continuou mostrando força frente ao real, a previsão do PIB refletiu uma economia ainda aquecida no Brasil e cresceu a preocupação com a trajetória da inflação diante das mudanças climáticas e dos possíveis efeitos da estiagem sobre preços de alimentos e energia elétrica.
As projeções de inflação seguiram distantes do centro da meta, afetadas também pelas incertezas dos agentes econômicos sobre os rumos das contas públicas do país.
Conforme dados do boletim Focus, os economistas projetam que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) feche o ano em 4,35%, já perto do teto do alvo. Para 2025, período mais relevante para a decisão do BC, a estimativa está em 3,95%.
A meta de inflação perseguida pelo BC é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Isso significa que o objetivo é considerado cumprido se oscilar entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto).
Com os efeitos defasados da política monetária sobre a economia, o BC tem a inflação de 2025 na mira e já olha também para 2026. O Copom volta a se reunir nos dias 5 e 6 de novembro para definir o patamar da taxa básica de juros.
Por que a taxa Selic influencia tanto a economia?
A Selic é uma referência para as taxas de juros de bancos e demais instituições financeiras, sendo um relevante instrumento da política monetária nacional. Tudo se baseia na Selic: os investimentos, empréstimos, cobranças de multas e encargos do governo. Considerando isso, quando o Banco Central realiza as reuniões do COPOM e efetiva qualquer mudança na taxa de juros, ela é sentida em praticamente todo o mercado. Se a Selic sobe, todos os produtos financeiros indexados por ela terão um reajuste para cima e se ela cai, esses mesmos produtos terão um reajuste para baixo. Por isso ela tão importante.
Pensando em facilitar o entendimento a respeito do tema, o setor de Inteligência de Mercado da FCDL-MG elaborou uma cartilha, destacando o conceito, os objetivos e os impactos da taxa Selic para os brasileiros.

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Com informações do Diário do Comércio
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